Método Kiber

Fevereiro 16 2010

 

            Conheci um homem de idade avançada que mostrava as rugas do seu corpo com um certo orgulho. Todas as marcas tinham a sua história, a cicatriz na perna testemunhava quando ele foi atingido por um carabineiro, quando fugia ao fazer contrabando para Espanha. Tinha uma marca profunda na testa, por ser projectado vários metros da sua carroça, quando vendia peixe. Num braço marcava umas rugas fortes, quando ele foi puxado por uma corda quando caiu num poço. Procurava às vezes outros sinais secundários e poucos salientes, ficava frustrado quando a sua vista já débil os não alcançava. Então, certificávamos quando víamos: “Está aqui”. Então o seu rosto se iluminava e entusiasmado lá contava outra história que nos surpreendia.
            Por vezes ele procurava marcas que mais se confundiam com rugas. A sua testa tinha umas rugas salientes, que são chamadas: rugas de reflexão e de pensamento. Os cantos da sua boca eram salientes, devido aos músculos do seu sorriso. Tinha rugas no canto dos olhos devido à concentração do seu olhar. A sua pele era queimada e envelhecida pelo sol.
            Todo o seu corpo testemunhava: os perigos, as façanhas, a coragem, a valentia e a sua determinação ao longo da vida. Se aquele homem fizesse plástica, ou apaga-se os seus sinais, não poderia testemunhar todas as suas façanhas e aventuras.
            Como os velhos guerreiros, dos temos de outrora, ele procurava um retiro tranquilo para repousar, e vendo alguém, apontava e mostrava orgulhosamente as cicatrizes, com que se tinha debatido nas duras batalhas da vida.
            As nossas rugas, estão marcadas no nosso corpo como se fossem mapas, são trajectórias do nosso passado, algo que podemos testemunhar. Apagar todas essas marcas seria como anular todas as nossas experiências da vida.
            Actualmente muitas pessoas vivem atormentadas com o tempo que foge, as rugas são consideradas sinais de debilidade e envelhecimento. Há pessoas que se afligem, quando contemplam o espelho e observam uma simples ruga. Milhares de pessoas vivem atormentados com o envelhecimento. Ser idoso para elas, é sinónimo de decadência física e intelectual. Associam sempre um idoso de muletas, ou gemendo de agonia numa cama de hospício. É natural, por isso, fazerem cirurgia plástica, tentando modificar todas as partes do corpo.
            Como as mentalidades mudaram em relação à velhice! Hoje, vive-se o culto da “adoração da juventude”, do corpo esbelto, do exterior, da nossa fachada e aparência. A beleza poderá ser fútil, mesmo assim está a ser mais apreciada e procurada, o interior que é o mais importante é esquecido. Claro que é essencial cuidarmos do nosso exterior, para a nossa auto-estima.
            Nem sempre foi assim. Na Antiguidade, os anciãos eram respeitados, eram eles os conselheiros dos reis, e o próprio sábio Salomão os tinha na sua corte.
            Envelhecer, significa amadurecer a nível físico e intelectual. Poderemos envelhecer com saúde e desenvolver as nossas capacidades de raciocínio e de tolerância, e compreendermos melhor o nosso lugar no Universo.
            Há quem envelheça com vingança e azedume, sempre ruminando e cheios de ressentimentos. Então se debilitam num arrastamento até à morte; mas também há aqueles que envelhecem cheios de esperança, com amor e altruísmo.
            A beleza física, não se perde com a idade, a excelência poderá continuar até ao fim. Uma pessoa positiva, poderá irradiar beleza e encanto pessoal, apesar de ter as suas rugas e marcas que assinalaram o seu itinerário durante a vida.
 
            Publicado na Revista Boa Estrela (Setembro de 2009)
PROF. KIBER SITHERC
 
  

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 22:24

Fevereiro 16 2010

 

            Ao visitar um velho solitário, achei-o muito debilitado e melancólico, devido ao seu triste isolamento. E na sua nostalgia contemplativa desabafou: “Estou velho e muito só, não consigo contar os meus amigos pelos dedos da minha mão!”
            Muitas pessoas sofrem de solidão, e quando chegam ao Inverno da vida perguntam: “Onde estão os meus velhos amigos, o que foi feito deles?!”
            Lembro-me de ter lido na minha adolescência as seguintes palavras: “Não há coisa mais importante do mundo do que a amizade”. O velho livro já há muito que se perdeu, mas essas palavras impregnaram profundamente na minha mente.
            O ser humano é por natureza um animal sociável. Como se costuma dizer: “Nenhum homem é uma ilha”. A solidão leva as pessoas à depressão e angústia, por não haver o diálogo favorece o suicídio. Todas as pessoas têm necessidade de conviverem, de desembucharem das suas mágoas, de sentirem que têm o apoio de um amigo, tanto nos bons momentos, como nas horas mais aflitivas da vida. Com a idade é possível as amizades escassearem, porque o adulto não tem a mesma facilidade de conviver como as crianças.
            Há que aprender a separar e a seleccionar as amizades. Os colegas e os companheiros, não se devem confundir com os amigos. Mas é possível que os mesmos se tornem verdadeiros amigos. Nem sempre o companheiro mais próximo é nosso aliado, há que saber distinguir do falso e do verdadeiro amigo.
            Há pessoas tão extrovertidas e comunicativas, que se convencem que fazem amigos em toda a parte. Por vezes são presas fáceis, julgando encontrar uma amizade autêntica ao voltar da esquina.
            Na selecção das amizades é como uma joeira filtrando toda a essência, aí ficará a parte mais reduzida e pura. Por isso, os amigos serão sempre poucos.
            O semelhante atrai o semelhante. É natural que nos sentimos atraídos com pessoas que tenham os mesmos gostos, as mesmas ideologias, tanto políticas como religiosas. Por isso, nós vemos grupos de pessoas que partilham as mesmas actividades desportivas, os mesmos locais de lazer. Por isso, existem os grupos: fumadores com fumadores, bebedores partilhando com os amigos do álcool, abstémios na companhia dos sóbrios. Há confrarias para todos os gostos e feitios, por isso, é possível que encontre sempre alguém que partilhe das suas ideias e hábitos. Não cometa o erro de se associar em grupos viciados que o podem prejudicar.         
            É necessário fazer uma lista das verdadeiras amizades, e procurar estar em contacto com os amigos mais íntimos. As relações amorosas, ou as mudanças de localidade poderão afastar-nos para longe e perdermos o seu contacto. Se os perdeu, faça os possíveis para os encontrar. Não volte a perder o contacto deles, não se iluda que é fácil substituir qualquer amigo, ele ou ela são tão preciosos como o ouro.
            Comece já hoje. Telefone à tal amiga que há muito não tem notícias dela. E faça os possíveis para ter sempre os amigos contactáveis.
            O mais importante é de manter os bons amigos, do que criar muitas amizades, é preferível a qualidade sincera do que a quantidade supérflua que é apenas ilusória.
            Hoje poderá não necessitar da companhia deles. Mas amanhã poderá precisar do seu apoio. Há que manter as verdadeiras amizades.
 
            Publicado na Revista Boa Estrela (Dezembro de 2009)
PROF. KIBER SITHERC
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 17:24
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Fevereiro 16 2010

 

             Lembro-me de ter lido uma máxima chinesa, que era fácil conseguir conquistar um império, mas que a dificuldade estava em mantê-lo. O mesmo princípio se poderá aplicar à amizade. Durante a vida conquista-se muitos amigos, mas quando chegamos a velhos todos eles se afastaram e se perderam.     
                Ora, a dificuldade está em manter as amizades ao longo da vida. Como as verdadeiras amizades são escassas, por isso, é muito importante que elas não se percam no longo percurso da nossa vida.
                Consultou-me uma jovem desesperada. Não tinha amor, nem tinha amigos, confessou que lhe chegaram a dizer que era azeda. Tinha sido educada num ambiente triste e nunca tinha conhecido um sorriso. Aprendeu a sorrir e a sua vida se transformou.
                Quando conhecemos alguém somos logo avaliados pelo sorriso, se mostrarmos uma cara séria, carrancuda e mal-humorada, deixaremos logo uma má impressão. “Esta pessoa é antipática, eu não gosto dela!” Apesar de você ser uma pessoa sincera e honesta. Saiu-se mal da fotografia, porque não sorrio. As pessoas mais bonitas, não são as que mais amigos arranjam, mas as que sorriem e que mostrem simpatia pelos outros.
                Talvez não saiba, que a maioria das pessoas tem a necessidade de serem ouvidas. “Outra vez com essa palestra, não, já tenho o saco cheio, por favor mude de assunto”; “Ó pai, por favor, não fale mais de política em casa”.
                Ser um bom ouvinte, mantém uma boa amizade para sempre. Deixe que a outra pessoa fale durante a maior parte da conversa. Não a interrompe, deixe que ela acabe a sua palestra. Se a incitar a falar de si próprio, verá que deixará uma boa impressão.
                Na conversação fale apenas de assuntos que a pessoa lhe possa interessar, se falar de temas que a pessoa detesta é natural que ela se afaste, e será impossível manter essa amizade.
                Seja simpático na conversação. Em todo o diálogo de conversação enalteça o seu semelhante, procurando elogiar os seus predicados e as suas singularidades de relevo. Trate todos com a máxima amabilidade, nunca saberá quando surgirá as novas amizades. Não espere usar dois pesos e duas medidas: para os amigos com delicadeza e simpatia; para os estranhos com irreverência, com o protesto que não os conhece de lado algum.
                Evite discussões. Seja de que assunto for, mesmo sabendo que está certo. Nunca se ganha uma discussão, a teimosia prevalece sempre, é um contra censo humilhar o próximo com o nosso conhecimento.
                Evite usar a crítica, toda ela é destrutiva, não temos o direito de criticar ninguém, ela afasta os amigos. Aceite o seu semelhante como ele é. Em vez do criticar deverá mostrar interesse por ele.
                Não se lembre dos amigos só nas ocasiões. Quando estiver aflito e necessitar de ajuda. Para implorar favores, pedinchar dinheiro e o desenrascar só quando precisa.
                Ao entrar em casa duns amigos, reparei que eles tinham nomes sublinhados nas datas dum calendário escondido atrás duma porta. Perguntei o porquê disso, eles me disseram que eram os aniversários dos familiares, quando um dia me felicitaram pelo me aniversário, agradeci e sorri, então, lembrei-me que o meu nome também constava no calendário.
                Todos nós gostamos que alguém nos saúde pelo aniversário, apesar dos anos acumulados. Pois é uma forma de mostrar interesse e simpatia por nós, é como se dissesse-mos: não me esqueci de ti.
                São esses pequenos gestos e simples, que fazem as pessoas gostarem de nós e assim mantemos as amizades para sempre.
            
            Publicado na Revista Boa Estrela (Janeiro de 2010)

PROF. KIBER SITHERC

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 16:03
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Só temos uma vida, por isso, teremos que vivê-la intensamente de uma maneira agradável e positiva. Faça tudo o que estiver ao seu alcance, antes que seja demasiado tarde! Pensamento Positivo! kiber-sitherc@sapo.pt
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