Método Kiber

Outubro 29 2010

 

            Muitas pessoas tentam dormir, mas não conseguem, devido ao medo de morrer e as suas noites tornam-se intensos pesadelos. No dia seguinte, o aspecto mórbido de palidez e de olheiras profundas, mostram as feições de algumas pessoas possuidoras da tafofobia.

           

            A tafofobia, o medo de ser enterrado vivo, costuma ser relacionada com narrativas de horror, envolvendo cadáveres exumados, que se apresentam arranhados ou virados no caixão, sugerindo que acordaram na sepultura. Por isso, o tafofóbico teme ser encerrado vivo e acordar preso dentro de um caixão sob o solo, sem poder sair, e ter que morrer debaixo da terra, sufocado sem ar.

 

            Em épocas de outrora era possível que muitos corpos fossem enterrados ainda vivos. Havia tanta gente para enterrar, que nem sempre os coveiros improvisados percebiam que o suposto defunto estava vivo. Em circunstâncias normais não há a mínima possibilidade. Nenhum morto acorda na sepultura.

 

             Há, sim, o transe letárgico, que imita a morte. O coração assume ritmo indolente, perto de dezoito batimentos por minuto; o fluxo sanguíneo torna-se lento, o indivíduo fica com aparência de morto, podendo até entrar em rigidez. Mas continua vivo, organismo funcionando, como numa hibernação. Qualquer médico constatará isso, ao examiná-lo.

 

            Catalepsia patológica é uma doença rara em que os membros se tornam rígidos, mas não há contracções, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos, e quem passa por ela pode ficar horas nesta situação. A catalepsia patológica ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicação e alcoolismo.

 

             No passado já existiram casos de pessoas que foram enterradas vivas e na verdade estavam passando pela catalepsia patológica. Muitos especialistas, contudo, afirmam que isso não seria possível nos dias de hoje pois já existem equipamentos tecnológicos que, quando correctamente utilizados, não falham ao definir os sinais vitais e permitem atestar o óbito com precisão.

 

            No Chile, determinados cemitérios e agências funerárias, têm utensílios para os tafofóbicos, vendem ataúdes com uma espécie de sineta acoplada à parte interior do caixão, evitando-se assim o medo da tafofobia. Só não é possível assegurar que, uma vez tocada essa sineta, caso o caixão já esteja terra abaixo, alguém conseguirá ouvir.

 

            Ser enterrado vivo, foi um dos medos mais terríveis que existiram, ainda hoje é uma fobia partilhada por muita gente. Muitos autores, entre eles Edgar Allan Poe, escreveram sobre o assunto que foi tema de diversos filmes. Décadas atrás os equipamentos médicos não eram tão avançados e assim muitos foram sepultados prematuramente. Vejamos algumas pessoas que foram enterradas vivas.

 

            Em 1901 uma mulher grávida chamada Madame Bobin, chegou da África aparentando ter febre amarela. Ela foi transferida para um hospital de tratamento de doenças contagiosas onde acabou “morrendo” e sendo sepultada no cemitério da família. Uma enfermeira contou para os parentes da Madame que ela ainda estava quente e os músculos do abdómen tremiam quando o médico declarou a morte. O pai organizou a exumação do corpo e todos ficaram aterrorizados ao ver que o bebê havia nascido dentro do caixão e morrido por asfixia junto com a mãe.

 

            No século XIX já existiam vários mecanismos que supostamente dariam à pessoa enterrada viva a oportunidade de alertar alguém. A senhora Bluden não teve a sorte de contar com um caixão desses em 1896. Ao morrer ela foi colocada no jazigo da família, numa capela da Inglaterra. Depois do funeral alguns garotos que estavam por perto ouviram um barulho debaixo e contaram a uma professora. Ao chegarem no local a tampa do caixão estava aberta e todos testemunharam o último suspiro da pobre senhora. Todos os meios possíveis foram tentados para ressuscitá-la, mas em sua agonia para sair do caixão ela tinha rasgado o rosto na madeira e assim perdeu muito sangue.

 

            Em 18 de janeiro de 1889, um homem cuja identidade nunca ficou esclarecida, dormiu após uma longa bebedeira. Depois de 20 horas de sono os amigos acreditaram que ele estava morto e o sepultaram. Quando um sacristão ouviu batidas vindas da sepultura pediu ajuda, mas quando ela chegou já era tarde. O homem havia feito buracos no caixão para o ar entrar e depois tentou forçar a tampa, quando ela abriu o impacto foi tanto que ele se feriu gravemente na cabeça, morrendo logo em seguida. O caso foi notícia no Daily Telegraph e hoje acreditasse que ele pode ter sido vítima de uma catalepsia causada pelo álcool.

 

            Em 1871, Mary Norah, era uma adolescente de 17, quando foi declarada morta por causa da cólera. Dez anos depois de sua morte a sepultura foi aberta, pois havia a crença de que o médico poderia ter falsificado o óbito da jovem, uma vez que o mesmo médico havia tentado matar a mãe adoptiva da mesma algum tempo antes. Ao abrir as portas do local um assistente encontrou o caixão aberto e metade do esqueleto para fora. Aparentemente Mary acordou de um transe induzido por veneno, ela deve ter forçado a tampa para fora e quando conseguiu desmaiou e bateu a cabeça na estante de alvenaria, causando sua morte definitiva.

 

            Em novembro de 2009, uma mulher entrou em coma profundo num hospital na Tunísia, os médicos a declaram como morta e rapidamente os parentes organizaram os rituais fúnebres, seguindo a tradição muçulmana. Minutos após o enterro ter acabado dois burros de estimação se aproximaram da cova e ali ficaram batendo os cascos no chão e cheirando a terra. Uma amiga da falecida percebeu algo estranho e foi afugentar os animais, mas quando chegou ao local ela se assustou com gritos vindos do solo. Ela alertou os familiares que chamaram os coveiros para desenterrarem a mulher. Ela sobreviveu e segundo a TV local Al Arabiya, passou duas horas no caixão.

 

            Casos de enterros prematuros são bem mais raros hoje em dia, mas acontecem, principalmente em países como Tailândia, China e países africanos. Piores que estes são os casos em que o enterro é proposital, como em assassinatos e crimes de honra.

 

            As autoridades mexicanas informaram que um bebé recém-nascido que foi declarado morto pelos médicos despertou quando já estava no caixão. O bebé, que nasceu prematuro, foi examinado em outro hospital e seu estado de saúde é estável.

 

            O procurador do estado de Hidalgo, José Rodriguez, disse que os pais ouviram um estranho barulho vindo do pequeno caixão. Após abri-lo, encontraram a filha viva e chorando. José Rodriguez disse a uma rádio local que o médico que declarou a menina morta no hospital da cidade de Tulancingo está sendo investigado por possível negligência.

 

            Homem de 81 anos 'ressuscita' em pleno velório.

            Um homem chileno de 81 anos levantou-se do caixão durante o seu próprio velório, perante o espanto dos familiares que choravam a sua morte, segundo um jornal diário local.

            A família de Feliberto Carrasco tinha encontrado o seu corpo inanimado e frio, convencendo-se de que estava morto. Os familiares contactaram uma agência funerária para organizar as cerimónias fúnebres, mas não chamaram um médico para confirmar o óbito.

            «Eu nem podia acreditar. Pensei que não estava a ver bem e fechei os olhos», contou o sobrinho de Feliberto Carrasco. «Quando reabri os olhos, o meu tio estava a olhar para mim. Comecei a chorar», prosseguiu.

            Por seu lado, Feliberto diz não ter sentido qualquer dor, apressando-se apenas a pedir um copo de água.

            As rádios locais também foram surpreendidas, tendo que rectificar aos seus ouvintes o anúncio da morte, prematuramente anunciado.

 

            O medo de ser enterrado vivo é tão grande que muitas pessoas optam por serem cremadas, e por doarem os seus corpos para as experiências médicas.

            Veja na Tag Fobias: (Doação do corpo: para não ser enterrado vivo; e  Caverna sofisticada: para não ser enterrado vivo).

 

            Se você sofre de tafofobia, o melhor é não dramatizar não leve nada disso a sério, procure encarar todo esse processo com um sentido de humor, talvez a sim fique aliviado de todo esse possível drama. E porque não pedir para lhe colocarem um telemóvel no caixão? Talvez morra mais descansado. Ora vejamos a provável situação:

 

            Se acordar, ligue para casa.

            Mas tenha cuidado ao comunicar-se com a família.

            – Alô.

            – Socorro!

            – Quem fala?

            – Sou eu!

            – Eu, quem?

            – O teu marido.

            – Ooooh!…

            – Chamem a ambulância! A mãe desmaiou!

 

PROF. KIBER SITHERC 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:21
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